quinta-feira, 14 de julho de 2011

Wander Wildner - Caminando Y Cantando (2010)

Amigos,
Wander Wildner está em algum lugar entre o Punk Rock (dos tempos de Replicantes) e o exagero das telenovelas, alimentando-se de tangos e melancolia. Depois de atravessar os últimos anos do século passado - e os primeiros do novo milênio - arrastando sua figura excêntrica pelos bordéis do lado alternativo, frequentado por universitários que matavam aula e velhos roqueiros entristecidos pelo tempo, Wildner chegou à 2010 com "Camiñando y Cantando", álbum em que interpreta algumas das mais intensas canções de sua carreira solo. "As coisas mudam" abre o disco provando que esperança e desespero dependem apenas de um ponto de vista. "Dani" transcende a matéria e pergunta "quando o espírito se libertar quem tomará conta dos gatos?". É pra se pensar. "Boas Noticias" é genial. "A Palo Seco" fez sucesso com Belchior nos anos 70 - e só por isso já merecia uma audição cuidadosa. "A Razao do Meu Viver" reabre o debate sobre o amor: é romântico ou é brega? "Puertas y Puertos" e "Amor e Morte" abrem as veias latinas de WW e dela vertem melancólicas poesias surreais. Depois vêm "Viajei de Trem", pérola dos anos 70 assinada por Sergio Sampaio e "Pra Ti Juana", sutis indícios de que a viagem do punkbrega não respeita nem o tempo, nem a lei dos homens. "Clo" é folk, é poesia, é marginal. "Calles de Buenos Aires" encerra o registro em ritmo de tango punk abolerado (?). Os mais afoitos podem até descartar a carreira solo de Wander Wildner mas uma coisa é certa: de punk, brega, médico e louco todos nós temos um pouco.
Mais informações e amostras aqui.

2 comentários

Julia Valentine 2 disse...

wander é o herói do sul. o disco traz várias colaborações de amigos locais e hermanos. gosto muito de "boas notícias" e "amor e morte" da seminal banda folk de porto alegre, os almondegas, dos 70's (hoje, kleiton e kledir). um dos melhores discos do ano passado.

Bloody Mary disse...

Com sua poesia desajustada, meio beat, meio punk, o senho Wildner é uma daquelas figuras que engrandecem o Rock nacional.
Underground, marginal e com personalidade suficiente pra fazer o que quiser e ainda assim soar como se fosse autoral, pessoal, único.
Pena que a nossa cultura massificada não permita nada (nem ninguém) que não se enquadre no padrão medio(cre).

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