terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Estranho Mundo de Mary e a Nova Era Digital.

Amigos,
em junho de 99 Shawn Fanning apareceu com o Napster, ferramenta online de busca de arquivos em formato MP3, e a história da música nunca mais foi a mesma. De um lado ficaram a RIAA e os defensores dos direitos sobre a música (entre eles Madonna, Dr. Dre e Metallica). Argumento: sustentabilidade.
Do outro estão a FAC e os que acreditam numa nova relação entre artistas, obras e público na era digital (entre eles Radiohead, Nick Mason, Deftones e Tom Jones). Argumento: equidade.

No meio dessa discussão estamos nós, musicólatras incorrigíveis que crescemos economizando e comprando - muitas vezes $$$ IMPORTANDO $$$ - LPs e CDs que copiávamos em fitas K-7 e doávamos aos amigos.

Hoje nos acusam de ladrões, de piratas, mas se hoje não compramos mais cds sobra-nos mais dinheiro para os shows. Se antes gastávamos, em média, 40, 50 reais (preço médio de um CD) com uma determinada banda num período de 2 anos (tempo médio entre os trabalhos), hoje podemos gastar 100, 200 - muitas vezes mais -
pra assistirmos a uma apresentação ao vivo dos nosso artistas preferidos.

Façam as contas! No final acabamos investindo até mais!

E tem mais: fãs de verdade nunca vão abrir mão de ter um original nas mãos, principalmente se ele vier caprichado, com arte de qualidade, conteúdo diferenciado e, na medida do possível, algo que o diferencie e fidelize o comprador. Sugestões? Descontos na compra de ingressos e merchandising, promoções exclusivas e senhas para acessos a conteúdos exclusivos nas páginas oficiais pra quem tiver uma identificação do disco original, etc.

E não subestimem a força das páginas/blogs na divulgação dos artistas e seus trabalhos, hein! (e vamos parar por aqui porque se formos falar dos artistas com materiais prontos (álbuns independentes) e público estabelecido (vide acessos e downloads) que surgem primeiro na Internet e são, digamos, cooptados pelas gravadoras, então, vai ficar até chato!)

A "Indústria da Música" está preocupada com o dinheiro que não verte mais como antes e não percebe que até o DOWNLOAD está com os dias contados, pois assim que a banda larga for "larga" de verdade (dezenas, centenas de megabit convergendo nos computadores, celulares, videogames, palms, tablets, tvs, rádios etc) ninguém mais vai querer ou precisar "ter" os arquivos.

É inevitável.

Chegou a hora de um novo modelo, que passe longe do "gargalo" imposto pelas gravadoras, distribuidoras e atravessadores em geral.

Sejam bem-vindos à Nova Era Digital!

6 comentários

Hellraiser disse...

Saudações, Mary.
Excelente artigo sobre a (ainda) polêmica das trocas de arquivos.
A maioria das pessoas não conhece os interesses por trás dos dois lados - nem as propostas e consequências de suas ideias. Os meios de comunicação, por sua vez, em nada contribuem pra uma discussão honesta sobre o assunto, omitem-se ou optam por tratar o caso como "crime".
Na minha opinião criminosos são os que nos cobravam preços de primeiro mundo em produtos subproduzidos, com artes simplificadas, mídias baratas e conteúdo reduzido - como era costume por aqui.
Era..

Hellraiser disse...

Obs.: quem são esses senhores da imagem? :P

Bloody Mary disse...

Huahuahuahuha...
Sabia que vc não ia aprovar a ilustração ... mas eu tinha que tentar em nome do Casares que mandou o original pra mim..
Mexi no texto um pouco, pra complementá-lo. Acho que consegui me fazer entender (e, de quebra, postar alguma coisa!)
Até mais.

L disse...

Sabe Mary, quem se encontra actualmente numa posição muito desfavorável são os artistas que não tocam habitualmente ao vivo. E, nas actuações ao vivo, muitas vezes os artistas independentes não são pagos. Quando muito pagam-lhes os custos de transporte e outros que têm para actuarem ao vivo. O dinheiro que muitas vezes fazem é da venda de CDs no espaço de actuação.
É claro que cópias, em cassete, depois em CD-R, sempre houve.
Os formatos digitais tornaram-se mais práticos que aqueles com suporte material, mas perdeu-se imensa qualidade de som. Hoje em dia, se reparar, os discos são editados com um som muito mais alto, para disfarçar a terrível perda de qualidade do som. O que mais me mete impressão na nova era digital é a quantidade sobre a qualidade.

Bloody Mary disse...

Olá, L.

Antes de tudo quero agradecer por sua participação e seu comentário muito inteligente e coerente sobre o tema.

Você tem razão quando diz que sofrem, agora, os artistas que não se apresentam muito ao vivo e os que dependem ainda da venda de seus produtos (CDs, camisestas, adesivos) nas poucas apresentações que fazem (cena muito comum entre as bandas que estão começando e as que integram o "underground").
Mas, como eu disse na postagem, fã nenhum que se preze deixa de adquirir material oficial de seu artista favorito - e os mais conscientes sabem da importância pro artista de comprar um original, principalmente através das páginas oficiais, sem atravessadores(nós recomendamos isso!).
Você também tem razão no que diz sobre a qualidade dos álbuns que, graças às taxas de compactação dos arquivos, acaba deixando a desejar. Os populares 128kbps não atendem aos ouvidos mais exigentes, nós sabemos, mas, mantendo a coerência, não convertemos os arquivos para MP3 para substituir os originais, mas sim para apresentar novos materiais, novos artistas. Quanto à produção dos álbuns com volumes exagerados ... bem, não sei justificar.. mas sei que eles não fazem isso pensando nos MP3..
Por fim, a relação quantidade x qualidade. Sou adepta da filosofia de que "da quantidade tiramos a qualidade". Muita coisa tem sido produzida nos últimos anos, muitos espaços se abriram pra que cada compositor pudesse expor sua obra na/pela Internet - e acho isso bom! Mesmo que muita coisa não me agrade, mesmo que muita coisa não me interesse, mesmo que muita coisa (mas muita mesmo!) seja mera repetição de clichês, fórmulas pré-estabelecidas e sonoridades planejadas pra agradar, ainda assim, acho positivo. Está mais fácil divulgar, distribuir e "repercutir" o que se tem criado. Acho isso mais democrático!

Mais uma vez, volto a agradecer por sua participação e sua colaboração inteligente e coerente sobre esse novo paradigma que, daqui pra frente, vai ser muito pensado e discutido pra que possa orientar os rumos da música - e da arte em geral - em formato e em conceito.

Até mais.

Pervitin Filmes disse...

Falou tudo! Excelente artigo, cara Mary!

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